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Enxerto ósseo antes do implante: perguntas e respostas

Por que falta osso depois de uma extração, de onde vem o material do enxerto, se o levantamento de seio dói e quanto tempo se espera até o implante.

Modelo de mandíbula sem dentes, um pote com enxerto ósseo em grânulos e um implante com o pilar ao lado
Imagem ilustrativa: modelo de mandíbula sem dentes, um pote com enxerto ósseo em grânulos e um implante com o pilar ao lado.

Você tirou um dente há poucos meses, ou usa dentadura há anos, e na primeira conversa sobre implante apareceu a palavra enxerto. É o material colocado para reconstruir o osso que falta, em altura ou em espessura, para que o implante tenha onde ficar firme.

Por que falta osso se o dente saiu há pouco tempo?

Justamente por ter saído há pouco tempo: a perda de osso é mais rápida nos primeiros três a seis meses depois da extração.

Enquanto a região cicatriza, o organismo absorve parte do osso que sustentava o dente, a chamada reabsorção. Medições feitas em pessoas mostram que, em seis meses, o osso perde de 29% a 63% da largura e de 11% a 22% da altura. Depois a perda continua, mais devagar.

Nos dentes de trás de cima, o seio maxilar, uma cavidade com ar logo acima das raízes, pode ainda se expandir para o espaço onde havia osso e reduzir a altura disponível para o implante.

Todo mundo que faz implante precisa de enxerto?

Não. Só quando falta osso, em altura ou em espessura, no ponto onde o implante vai ficar.

Como se mede o osso que sobrou?

Com tomografia. A radiografia panorâmica mostra o osso num só plano, sem a espessura vista em corte. Para planejar implante, o exame indicado é a tomografia computadorizada de feixe cônico, o cone beam, que mostra a região do implante em três dimensões.

Com ela se medem a altura e a espessura do osso no local do futuro implante e a posição do seio maxilar. O enxerto, quando necessário, segue o plano do dente que vai ser colocado.

O osso do enxerto vem de onde?

De quatro origens. Todas servem de suporte para o osso vizinho crescer e formar osso novo, e podem ser combinadas.

  • Do seu próprio corpo (autógeno). Da boca (parte de trás da mandíbula, queixo) ou, para volumes maiores, do quadril. Leva células vivas, mas exige uma segunda área operada.
  • De doadores humanos (aloenxerto). Osso selecionado, processado e guardado em bancos de ossos. O processamento reduz reações do organismo e o risco de transmissão de doenças.
  • De origem animal (xenógeno). Os mais usados vêm de boi ou de porco. O processamento deixa só a parte mineral, parecida com a do osso humano. Por vir em grânulos, costuma ser coberto por uma membrana.
  • Sintético (aloplástico). Fabricado em laboratório, como as cerâmicas de fosfato de cálcio e os vidros bioativos. Não vem de pessoa nem de animal, mas não estimula sozinho a formação de osso.

Vão precisar tirar osso de outra parte do meu corpo?

Não necessariamente. Uma revisão Cochrane sobre o seio maxilar não encontrou evidência suficiente de que o osso do próprio paciente traga mais benefício que os substitutos quanto à perda de implantes ou de próteses.

Essa segunda área operada traz os riscos de qualquer cirurgia: dor, infecção, cicatriz. Entre as complicações descritas na área doadora estão também lesão de nervo e, quando o osso sai do quadril, dificuldade para andar. A escolha do material pesa o tamanho da falha, a região e esses riscos.

O que é levantamento de seio?

É o enxerto embaixo do seio maxilar, nos dentes de trás de cima, quando falta altura de osso para o implante. A membrana fina que reveste o seio é elevada, e o espaço criado recebe o enxerto, onde se forma osso novo.

Há dois acessos. Pela janela lateral, abre-se uma pequena passagem na parede do seio, do lado da bochecha, quando a altura de osso não permite um implante do comprimento desejado. Pela crista, a membrana é empurrada para cima pelo próprio orifício preparado para o implante, e esse acesso é recomendado quando há 5 mm ou mais de altura de osso, largura suficiente e um assoalho do seio relativamente plano.

Levantamento de seio dói?

Ninguém pode prometer como vão ser os dias depois da cirurgia.

O que está descrito são as complicações. Implantes mais curtos são uma alternativa estudada ao levantamento em algumas situações; nas comparações entre os dois, não se conseguiu dizer qual dá mais certo, mas as áreas com levantamento tiveram mais complicações, como sinusite, infecção e sangramento. Com osso do próprio corpo, somam-se os riscos da área doadora.

Na avaliação, pergunte o que esperar nos dias seguintes e quais sinais pedem contato com o consultório.

Dá para colocar o implante na mesma cirurgia do enxerto?

Depende da estabilidade primária, a firmeza do implante no osso no momento em que ele é colocado. No levantamento de seio, a recomendação do ITI, associação científica internacional da área, é direta: se o osso que existe permite essa firmeza, o implante entra na mesma cirurgia; se não permite, ele fica para uma segunda etapa.

Fora do seio, quando o osso ficou estreito mas ainda tem altura, técnicas que expandem o rebordo (a crista de osso onde ficavam os dentes) permitem, em casos selecionados, colocar o implante no mesmo ato. Nas perdas grandes, como no osso de cima muito reabsorvido de quem está há anos sem dentes, o enxerto com frequência precisa de blocos de osso, e os implantes ficam para uma segunda cirurgia.

A firmeza só se confirma durante a cirurgia.

Quanto tempo até o implante?

Quando o enxerto é feito numa cirurgia separada, o implante espera o material se incorporar e o osso novo amadurecer. No levantamento de seio pela janela lateral em duas etapas, a espera clássica é de cerca de seis meses ou mais. Nos enxertos em outras partes da boca, o prazo muda com o material e com o tamanho da área enxertada; no seio, o osso do próprio paciente pode encurtar a espera.

Quais dessas respostas valem para você é o que o exame clínico e a tomografia mostram na consulta de avaliação.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação clínica individual.

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