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Carga imediata, precoce ou convencional no implante
Carga imediata, precoce e convencional numa tabela: quando a prótese entra, o que se usa na espera, o que precisa estar presente e o que muda na cirurgia.
Quem vai extrair um dente da frente quer saber por quanto tempo vai ficar com o espaço vazio. Quem usa prótese removível há anos quer saber quando vai poder parar de tirá-la da boca. As duas perguntas são sobre a mesma coisa: a carga, o momento em que a prótese é presa ao implante e ele passa a receber a força da mastigação.
Os três prazos
As definições abaixo são do ITI (International Team for Implantology), associação científica internacional da área de implantes.
| Carga | Quando a prótese entra | O que se usa enquanto isso | O que precisa estar presente |
|---|---|---|---|
| Imediata | Em até 1 semana após o implante, já encostando nos dentes opostos quando você fecha a boca | Prótese provisória fixa, ajustada para ficar protegida da força da mastigação; a definitiva vem depois | Firmeza suficiente, medida na cirurgia; sem bruxismo nem grandes falhas no osso |
| Precoce | Entre 1 semana e 2 meses após o implante | Em geral, prótese removível; nada fica preso ao implante | As mesmas condições da imediata |
| Convencional | Depois de mais de 2 meses de cicatrização | Prótese removível, por mais tempo; nada fica preso ao implante | Firmeza inicial, que conta em qualquer prazo, e tempo para o osso cicatrizar sem carga |
Há ainda a restauração imediata: o provisório também entra em até uma semana, mas fica sem encostar nos dentes opostos. E carga imediata não é o mesmo que implante imediato, o implante colocado no dia da extração, que pode receber qualquer um dos três prazos. Em todos eles, o tipo de provisório muda com a região e com quantos dentes faltam.
Para um dente isolado, a carga imediata e a precoce são previsíveis nos dentes da frente, nos pré-molares e nos molares de baixo. No molar de cima, com poucos dados, a indicação é a convencional, e onde a estética pesa muito as duas não são recomendadas como rotina.
Numa arcada sem dentes que vai receber prótese fixa sobre vários implantes, a carga imediata com provisória fixa é tão previsível quanto as outras, desde que a firmeza de cada implante seja confirmada. Ali, os benefícios apontados são menos tempo total de tratamento e menos desconforto na espera, já que a prótese removível provisória incomoda muita gente.
Em pessoas selecionadas, a revisão Cochrane sobre prazos de carga, que reuniu 26 estudos randomizados, não encontrou evidência convincente de diferença clinicamente importante entre eles na perda de próteses, de implantes ou de osso, e classificou essa evidência como de qualidade muito baixa. Nesses estudos ficavam de fora, com frequência, fumantes, pessoas com osso muito macio, com enxerto anterior na região ou com doenças capazes de comprometer a cirurgia. São critérios sobre o momento da carga, não sobre quem pode receber implante.
Estabilidade primária
Com o tempo, o osso cresce em contato direto com a superfície do implante: é a osseointegração. Nessa fase o implante precisa ficar parado. Se ele se mexe, pode se formar tecido mole entre o osso e o implante, e o implante pode ser perdido.
Estabilidade primária é a firmeza mecânica do implante no osso no momento em que ele é colocado, antes de qualquer cicatrização. Ela é medida pelo torque, a força necessária para girar o implante até a posição final, ou por um aparelho que dá um índice de estabilidade, o ISQ. Para carga imediata ou precoce, um torque de pelo menos 35 Ncm parece ser um dos pré-requisitos.
Esse número só existe com o implante já no osso.
O que pode mudar durante a cirurgia
Como a firmeza só é conhecida na hora, o prazo planejado pode mudar ali mesmo. Por isso o planejamento já deve prever um tratamento alternativo.
Quando o dente é extraído e o implante e o provisório entram na mesma semana, as exigências sobem: paredes do alvéolo (o espaço deixado pela raiz) intactas, parede de osso externa com pelo menos 1 mm de espessura, gengiva espessa, nenhuma infecção aguda e uma mordida que proteja o provisório. É um protocolo classificado como complexo. Nos dentes da frente de cima, parte dos casos escolhidos para ele não chega à carga imediata, principalmente por falta de firmeza ou por intercorrências na extração, como a perda de uma parede de osso. A recomendação é preparar o provisório antes da extração e deixar pronta uma segunda solução provisória, para o caso de a carga imediata não se completar.
Enxerto ou levantamento de seio no mesmo ato também pesam contra a carga imediata.
Na consulta de avaliação, pergunte qual dos três prazos o exame clínico e a tomografia permitem prever no seu caso, o que você usaria durante a espera e por quanto tempo, e qual é o plano se a firmeza medida na cirurgia não bastar para a carga imediata. Se houver extração, pergunte também se o momento do implante e o tipo de carga já foram definidos antes dela.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação clínica individual.