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Cuidados depois do implante dentário, fase por fase
Do dia da cirurgia às revisões dos anos seguintes: o que é normal em cada fase depois do implante dentário e quais sinais pedem uma ligação ao dentista.
A cirurgia acabou, a anestesia ainda não passou e você tem na mão uma folha com as orientações do dentista. Guarde essa folha. Ela foi escrita para a sua cirurgia, e onde este texto disser outra coisa, vale o que está nela.
Nas primeiras 24 horas
Um pouco de sangramento faz parte. Se ele aparecer, enrole uma gaze limpa, apoie sobre o local e feche os dentes com firmeza por pelo menos 30 minutos.
Para o inchaço, compressas frias por fora, por períodos curtos nas primeiras horas, ajudam; um saco de legumes congelados enrolado num pano limpo serve, desde que o gelo não encoste na pele.
Remédio, só o que o dentista receitou, do jeito que está na receita. Bebida alcoólica fica de fora nesse primeiro dia. Se ele recomendou comida macia, comece por ela.
Se o sangramento continuar depois desses 30 minutos de pressão, ligue para o dentista ou procure um pronto atendimento.
Na primeira semana
Dor leve, inchaço e manchas roxas no rosto podem aparecer. O desconforto dura até cerca de uma semana, o mesmo tempo da primeira cicatrização da gengiva, e em geral dá para voltar ao trabalho já no dia seguinte.
A área do implante fica sem escova durante essa semana; o resto da boca você escova normalmente, e o local operado é mantido limpo com o bochecho que o dentista indicar. Quem usa dentadura pode ter de ficar sem ela por até duas semanas, se o dentista assim orientar. Os pontos, quando há, saem entre 7 e 14 dias depois.
O cigarro atrapalha a cicatrização. Se você fuma, a recomendação é parar já e, se possível, de vez.
Não espere a retirada dos pontos se aparecer febre ou pus na gengiva, ou se o desconforto e o inchaço passarem de uma semana sem melhorar. Ligue antes.
Nos meses de cicatrização
Dentro do osso, o trabalho é mais lento: o osso cresce encostado na superfície do implante até passar a segurá-lo, o que se chama osseointegração. Isso leva de três a nove meses, conforme a velocidade com que o seu organismo cicatriza.
Nesses meses, siga o que o dentista orientou sobre mastigar do lado do implante e sobre a prótese provisória, se houver uma. E não pule as consultas de acompanhamento.
Um implante que parece solto ou se mexe, gengiva sangrando, pus ou febre: nesses casos, ligue sem esperar a próxima consulta marcada.
Depois que a prótese é instalada
Com o dente no lugar, a diretriz europeia de 2023 sobre doenças ao redor do implante recomenda registrar duas medidas de partida: a sondagem, feita nos primeiros três meses com um instrumento fino que mede a profundidade entre a gengiva e o implante, e uma radiografia do nível do osso depois da remodelação inicial. Elas servem de comparação nas revisões seguintes.
Daqui em diante, a limpeza de casa entra na conta: é a placa bacteriana, a película de bactérias que se forma sobre dentes e implantes, que causa as inflamações em volta do implante. A orientação de higiene é feita para a sua boca e para a sua prótese.
Para quem já tratou uma inflamação em volta do implante, o mínimo recomendado é escovar dentes e implantes duas vezes ao dia e passar, uma vez ao dia, escovas interdentais do tamanho certo, que entram entre os dentes e em volta do implante. Escova manual ou elétrica: nenhuma mostrou vantagem clara sobre a outra. O fio dental pode entrar na rotina. O irrigador, que lança um jato de água, é um complemento com evidência ainda limitada e não substitui as escovas.
Nas revisões, mostre ao dentista como você limpa em casa, para que ele possa rever a técnica.
Se a gengiva em volta do implante sangrar, ficar vermelha ou inchada, soltar pus ou parecer ter recuado, marque uma consulta. Não espere a próxima revisão.
Nos anos seguintes
As consultas de manutenção continuam mesmo com o implante saudável. Os intervalos estudados vão de três em três meses a uma vez por ano, e o de cada pessoa é ajustado ao risco dela.
Esse risco tem causas conhecidas. As mais bem documentadas são três: já ter tido periodontite grave (a doença da gengiva e do osso em volta dos dentes), controlar mal a placa e faltar às consultas de manutenção. Sobre fumo e diabetes as evidências são menos firmes, mas apontam para o mesmo lado: a chance de peri-implantite é cerca de duas vezes maior entre fumantes e entre pessoas com diabetes, e cerca de quatro vezes maior em quem tem periodontite em atividade.
Na consulta, o dentista examina a gengiva, a prótese e a sua higiene e faz a limpeza profissional.
Entre uma revisão e outra, os sinais de alerta são os mesmos da fase anterior, e a regra também: não espere a data marcada.
Mucosite e peri-implantite, em palavras simples
A mucosite é uma inflamação só da gengiva em volta do implante, sem perda de osso. O sinal principal é sangramento quando o dentista passa a sonda com delicadeza; vermelhidão, inchaço e pus também podem aparecer. A causa é a placa acumulada, e a mucosite pode regredir quando a placa volta a ser controlada.
Na peri-implantite, a inflamação chega ao osso que segura o implante, e esse osso vai sendo perdido. A mucosite é considerada a etapa anterior, e a peri-implantite, sem tratamento, tende a avançar em ritmo acelerado. Sangramento, pus e gengiva inchada ou recuada você percebe em casa; a perda de osso só aparece no exame e na radiografia.
Nenhuma das duas é rara: a mucosite atinge cerca de 43% a 47% das pessoas com implante, e a peri-implantite, cerca de 20% a 22%; a faixa muda com a definição usada em cada levantamento.
Quem ainda vai fazer o implante pode perguntar, na avaliação no consultório, como cada uma dessas fases fica no próprio tratamento.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação clínica individual.